Saúde mental além de setembro: por que o cuidado não pode acabar quando o mês virar a página

Todo mês de setembro, o país se pinta de amarelo. Campanhas, palestras, postagens e laços dão visibilidade a um tema que, por muito tempo, foi tratado como assunto proibido. O problema começa no dia primeiro de outubro, quando o amarelo desbota e a saúde mental corre o risco de voltar para o mesmo silêncio de onde saiu. É contra essa lógica de calendário que especialistas vêm insistindo: sofrimento psíquico não tem mês para acontecer, e cuidado não pode ser sazonal.
A força do Setembro Amarelo é inegável e necessária. Ao concentrar atenção na valorização da vida e na prevenção, o movimento salva vidas e ajuda a desfazer o estigma que ainda cerca transtornos como ansiedade e depressão. Mas transformar saúde mental em pauta de trinta dias é um erro perigoso, porque a angústia de quem sofre não obedece a datas comemorativas, e a pessoa que precisa de ajuda em fevereiro merece o mesmo acolhimento de quem pede socorro em setembro.
Cuidar da mente o ano inteiro passa por gestos que não cabem em uma única campanha. Passa por manter o assunto vivo nas conversas, por não naturalizar o esgotamento como preço da rotina, por perceber sinais em quem está por perto e por entender que buscar terapia ou acompanhamento profissional é tão legítimo quanto tratar qualquer outra doença. Passa, sobretudo, por parar de esperar o colapso para só então agir.
O recado que atravessa o mês e deveria sobreviver a ele é simples: nomear o que se sente é o primeiro passo, e esse passo vale em qualquer época do ano. O amarelo de setembro cumpre seu papel ao acender a luz. Cabe aos outros onze meses não deixar que ela se apague.
Se você ou alguém próximo enfrenta sofrimento emocional, o CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio pelo telefone 188, em ligação gratuita, e pelo site cvv.org.br.

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