Comportamento

Setembro Verde: por que a conversa sobre doação de órgãos precisa acontecer antes do luto

Por Priscilla Avila — Editor-chefe 19 de setembro de 2026 1 min de leitura
Setembro Verde: por que a conversa sobre doação de órgãos precisa acontecer antes do luto

Há decisões que ninguém quer tomar no pior dia da própria vida, e é justamente aí que muitas famílias são colocadas diante da pergunta sobre doar ou não os órgãos de quem acabou de partir. O Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, existe para lembrar de algo simples e poderoso: essa conversa não deveria começar no hospital, e sim na mesa de casa, muito antes de qualquer tragédia.

No Brasil, a lógica da doação passa obrigatoriamente pela família. Mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora, é o consentimento dos familiares, após a confirmação da morte encefálica, que autoriza o procedimento. Na prática, isso significa que a vontade individual só se realiza se tiver sido dita em voz alta, o que transforma uma conversa aparentemente incômoda em um gesto concreto de generosidade e de respeito à própria escolha.

O peso dessa decisão no momento do luto é enorme, e é exatamente o que o diálogo prévio ajuda a aliviar. Quando a família já sabe o que a pessoa queria, a autorização deixa de ser uma dúvida angustiante e passa a ser o cumprimento de um desejo conhecido. Para muitos que enfrentam a perda, autorizar a doação se torna, inclusive, uma forma de ressignificar a dor, sabendo que a despedida de um pode representar a continuidade de vários outros.

Falar sobre morte em vida não é mórbido, é responsável. Um único doador pode beneficiar diversas pessoas na fila de espera por um transplante, e a diferença entre um órgão que salva e uma oportunidade perdida costuma estar na clareza de uma conversa que levou poucos minutos. O recado do Setembro Verde é esse: diga aos seus o que você deseja. É um gesto de amor que se planta agora e que, um dia, pode florescer justamente quando tudo parecer terminar.

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