Comportamento

Síndrome do impostor: o sucesso que não convence quem mais deveria acreditar nele

Por Priscilla Avila — Editor-chefe 18 de setembro de 2026 1 min de leitura
Síndrome do impostor: o sucesso que não convence quem mais deveria acreditar nele

Existe um tipo de angústia que costuma acompanhar justamente quem está indo bem. É a sensação persistente de não merecer o próprio sucesso, de estar prestes a ser desmascarado, como se todo reconhecimento tivesse sido fruto de sorte, timing ou de ter enganado as pessoas ao redor. Esse fenômeno tem nome, chama-se síndrome do impostor, e atinge, com frequência, exatamente aqueles que teriam todos os motivos para confiar na própria competência.

O curioso é que a síndrome raramente aparece em quem sabe pouco. Ela costuma se instalar em pessoas capazes, dedicadas e bem avaliadas, que, apesar das evidências de que estão entregando bons resultados, seguem convencidas de que não são boas o suficiente. Cada elogio é minimizado, cada conquista é atribuída a fatores externos, e cada erro, por menor que seja, vira prova definitiva de uma suposta incompetência. É um placar em que só as derrotas contam.

As consequências vão além do desconforto. Quem vive sob esse peso tende a se cobrar em excesso, a trabalhar muito além do necessário para compensar uma falha que só existe na própria cabeça e a evitar oportunidades por medo de não dar conta. Com o tempo, esse ciclo alimenta ansiedade, esgotamento e uma insatisfação crônica, porque nenhum resultado é suficiente para calar a voz interna que insiste em dizer que tudo pode desmoronar a qualquer momento.

Enfrentar a síndrome do impostor começa por reconhecê-la e nomeá-la, entendendo que aquela sensação é comum e não corresponde à realidade. Registrar conquistas, aceitar elogios sem os desconversar e falar abertamente sobre o assunto ajudam a desmontar a distorção, e o acompanhamento profissional é um caminho valioso quando o sentimento se torna paralisante. No fim, o recado é simples e difícil ao mesmo tempo: talvez você não seja uma fraude prestes a ser descoberta, e sim alguém competente que ainda não aprendeu a acreditar no próprio valor.

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