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Beleza coreana no Brasil: por que o skincare da Coreia deixou de ser moda e virou tratamento

Por Priscilla Avila — Editor-chefe 18 de setembro de 2026 2 min de leitura
Beleza coreana no Brasil: por que o skincare da Coreia deixou de ser moda e virou tratamento

O que começou como curiosidade importada dos vídeos de TikTok se transformou em um dos movimentos mais consistentes do mercado de beleza brasileiro. A chamada k-beauty, o universo do skincare coreano, deixou de ser tendência passageira para se firmar como comportamento de consumo, e os números confirmam a virada. Só no skincare, a participação dos produtos coreanos saltou de 0,5% em 2023 para mais de 7% em 2026, enquanto o número de marcas coreanas disponíveis no país quase dobrou no mesmo período. Não é moda, é mercado.

O interesse do consumidor acompanha esse ritmo. Buscas por termos como peeling coreano, shampoo coreano e máscara de colágeno coreana dispararam nos últimos anos, sinal de que o brasileiro passou a procurar ativamente esse tipo de produto, e não apenas a esbarrar nele nas redes. Por trás dessa procura está uma percepção clara de que os cosméticos coreanos entregam inovação e eficácia a um custo-benefício difícil de encontrar, combinação que explica boa parte da fidelização.

Mais importante do que a origem, porém, é a lógica que a k-beauty carrega. A beleza coreana trata a pele como questão de saúde, e não apenas de aparência, com foco em hidratação profunda, fortalecimento da barreira cutânea e prevenção, e não em transformação agressiva. Não à toa, a fase atual do movimento abandonou a fama dos dez passos e abraçou o chamado skinimalism, o minimalismo inteligente, com menos etapas e fórmulas mais concentradas e tecnológicas. Menos produto, mais ciência.

Há ainda um detalhe que o consumidor brasileiro precisa considerar: adaptação. O clima seco da Coreia é muito diferente do calor úmido do Brasil, e por isso dermatologistas alertam que copiar rotinas idênticas nem sempre funciona, sendo preciso ajustar texturas e ativos ao tipo de pele e ao ambiente. É aí que entra o papel do profissional, capaz de traduzir a tendência em protocolo seguro, em vez de deixar o paciente refém do que viralizou.

No fim, o avanço da k-beauty no Brasil conta uma história maior do que a de um produto da moda. Ela reflete um consumidor mais exigente, que quer eficácia comprovada e trata o cuidado com a pele como parte da saúde. Para o profissional de estética, ignorar esse movimento é abrir mão de um mercado que só cresce. Entendê-lo, por outro lado, é falar a língua de um público que já não se contenta com promessa, e quer resultado.

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