Inteligência artificial pode aumentar produtividade e também distância entre países, aponta FMI
Novo estudo indica que ter acesso à tecnologia não significa necessariamente conseguir transformá-la em desenvolvimento econômico

A expansão da inteligência artificial costuma vir acompanhada de uma promessa: aumentar produtividade, acelerar processos e ampliar o acesso ao conhecimento.
Um novo estudo publicado pelo Fundo Monetário Internacional, porém, acrescenta outra questão à discussão: e se a IA também aumentar a distância entre economias mais e menos preparadas?
Publicado em 4 de setembro, o trabalho dos pesquisadores Patrick A. Imam e Jonathan R. W. Temple analisa a relação entre capital humano, difusão tecnológica, inteligência artificial e produtividade.
A conclusão central é que disponibilizar tecnologia não basta.
Países precisam ter capacidade de absorver conhecimento e convertê-lo em processos produtivos, inovação e valor econômico. Educação, qualificação profissional, empresas preparadas e capacidade institucional passam, portanto, a ter papel decisivo.
Segundo os pesquisadores, se a IA beneficiar principalmente trabalhadores altamente qualificados e empresas que já possuem maior capacidade tecnológica, as diferenças existentes podem ser reforçadas. Por outro lado, se a tecnologia reduzir custos de aprendizagem, adaptação e implementação, poderá ajudar economias menos desenvolvidas a avançar.
É o que os autores tratam como uma possível “divisão da inteligência”.
A próxima fronteira tecnológica, portanto, pode não separar simplesmente quem possui ou não acesso à inteligência artificial.
A diferença estará, cada vez mais, entre quem consegue apenas utilizar a ferramenta e quem consegue transformá-la em produtividade.

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