O planeta que derrete: estudo aponta perda de 12 trilhões de toneladas de gelo desde 1979

Um levantamento científico divulgado nesta sexta-feira colocou em números uma transformação que costuma parecer abstrata. Segundo o estudo, a Groenlândia e a Antártida perderam, juntas, cerca de 12 trilhões de toneladas de gelo desde 1979, um volume difícil de imaginar e que traduz, de forma concreta, o avanço das mudanças climáticas sobre as duas maiores reservas de gelo do planeta. O dado dá rosto a um processo que, por acontecer longe e devagar, muitas vezes escapa da percepção cotidiana.
O mais preocupante não é apenas o tamanho da perda, mas o ritmo. De acordo com os pesquisadores, o derretimento começou a acelerar a partir da década de 1990 e não parou mais, num sinal de que o problema se agrava com o passar do tempo, em vez de se estabilizar. Essa aceleração é justamente o que acende o alerta entre cientistas, porque indica que o sistema climático responde de forma cada vez mais intensa ao aquecimento global.
As consequências desse degelo ultrapassam as regiões polares. O gelo que desaparece vira água, e essa água contribui diretamente para a elevação do nível dos mares, ameaçando cidades costeiras e populações que vivem à beira do oceano em todos os continentes. Além disso, a perda dessas massas altera correntes, temperaturas e padrões climáticos que afetam o planeta inteiro, inclusive lugares distantes de qualquer geleira.
Números como esse cumprem uma função que vai além do susto. Eles transformam um fenômeno silencioso em evidência mensurável, e cobram respostas de governos, empresas e sociedades. O gelo perdido não volta na mesma velocidade com que some, e cada tonelada a menos é também um recado sobre o tipo de futuro que está sendo desenhado agora, enquanto o mundo decide, ou adia, o que fazer diante da própria pressa em aquecer o planeta.

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