Setembro Amarelo: a busca pelo corpo perfeito acende o alerta para a dismorfia corporal

No mês dedicado à valorização da vida, um recorte menos óbvio ganha força entre especialistas: a relação entre a corrida por procedimentos estéticos e o sofrimento psíquico. A chamada dismorfia corporal, transtorno em que a pessoa enxerga defeitos exagerados ou inexistentes na própria imagem, tem sido apontada como um alerta importante dentro das discussões do Setembro Amarelo, justamente por se esconder atrás de algo socialmente aplaudido, o desejo de se cuidar.
O cenário atual ajuda a entender o problema. Filtros, retoques e um padrão de perfeição inalcançável transformaram a insatisfação com o próprio corpo em experiência cotidiana. Entre curtir uma foto editada e marcar mais um procedimento, muita gente atravessa a linha que separa o autocuidado do adoecimento, sem perceber que nenhuma intervenção parece ser suficiente para calar o incômodo interno.
O sinal de alerta não está no procedimento em si, e sim na motivação e na repetição. Quando a pessoa nunca se satisfaz com o resultado, encadeia intervenções em busca de uma imagem que só existe na própria cabeça e organiza a autoestima em torno disso, o que está em jogo deixa de ser estética e passa a ser saúde mental. É esse tipo de padrão que profissionais como a Dra. Sarah Dantas costumam investigar ao falar de como a autoimagem pode adoecer.
A mensagem que atravessa o Setembro Amarelo, nesse contexto, é a de sempre, apenas aplicada a um novo espelho: cuidar da mente vem antes de cuidar da aparência. Reconhecer que a insatisfação virou sofrimento e procurar ajuda profissional não é vaidade nem exagero, é o mesmo gesto de coragem que o mês inteiro tenta incentivar.
Se você ou alguém próximo enfrenta sofrimento emocional, o CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio pelo telefone 188, em ligação gratuita, e pelo site cvv.org.br.



